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Os caminhos para a recolocação no mercado financeiro

Mudanças na carreira fazem parte de qualquer jornada profissional. A decisão pode vir por meio de uma oportunidade que se abre, de um anseio pessoal, de uma transformação estrutural e macroeconômica dentro de um segmento de mercado ou mesmo em um país em função de confluência de situações.

No universo bancário, por exemplo, é possível observar essa disrupção mais ampla dos modelos de trabalho e no segmento de maneira geral, nesse sentido, os profissionais do setor têm diversos motivos para pensar em novos rumos para suas trajetórias.

O processo de digitalização – que também chegou a outros nichos de mercado – impulsionou a retração da estrutura tradicional do sistema bancário que, dentre outros pontos, fechou diversos postos de trabalho. No Brasil, até julho do ano passado, por exemplo, os 5 grandes bancos de varejo do país cortaram mais de 15 mil vagas de emprego e encerraram 2.189 agências, de acordo com dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Por outro lado, a ampliação de tecnologias e de novas metodologias de negócio abrem também a possibilidade de que os profissionais abracem novos desafios, contribuam com a transformação do mercado em termos de serviços e ofertas, além de contarem com a oportunidade de ampliar seus ganhos dentro de uma carreira mais independente e dinâmica.

Nesse sentido, o surgimento de novas empresas vêm moldando as estruturas do mercado financeiro nos mais diversos nichos desse setor – das recuperações judiciais, passando por investimentos até chegar ao crédito empresarial. Certamente o avanço das ferramentas e formas de pagamento, modalidades de crédito mais flexíveis e, sem dúvidas, o próprio Open Banking fizeram a diferença nesse movimento de disrupção.

Essa tendência se prova ao analisarmos que hoje, além dos bancos e instituições financeiras tradicionais, já existem 784 fintechs no país – de acordo com o mapeamento mais recente do Startup Scanner da aceleradora Liga Ventures.

Vemos também uma tendência de descentralização do mercado financeiro. No âmbito do crédito, por exemplo, hoje consumidores e empresas têm a seu dispor opções de linhas difusas por diferentes agentes e levando em conta todos os perfis de negócio – das PMEs as grandes companhias. Dentro desse cenário, cresce a força de empresas de produtos e serviços que antes eram concentrados apenas nos bancos. Por consequência, nascem oportunidades para absorção de profissionais experientes e advindos da estrutura tradicional do sistema bancário.

Assim, dentro desse contexto de plena mudança e também de reflexões sobre o futuro, pode ser positivo para o profissional repensar sua relação com trabalho, alinhar com seu projeto de vida e sair da zona de conforto.

Para realizar uma transição de carreira ou buscar a recolocação no mercado financeiro é importante, antes de tudo, identificar o que faz sentido para você, com quais culturas e valores você se identifica, bem como estudar o ambiente/setor e seus desafios, de modo que seja possível identificar e avaliar oportunidades nos diferentes contextos – mas que estejam aderentes ao que você quer para sua vida. Em paralelo, a pessoa precisa ampliar seu escopo de conhecimentos (dos soft skills as habilidades de negociação, vendas e relacionamento com a tecnologia).

Expansão de produtos financeiros digitais, crescente preocupação com segurança cibernética, surgimento de novas formas de investimentos, intermediadoras de crédito e fintechs são a prova de que a demanda por profissionais existe e está aumentando para aqueles que estão atentos às tendências do mercado. Não por acaso, apenas para elucidar um pouco mais esse contexto, de acordo com um levantamento recente da Gupy – plataforma de candidatura a vagas de trabalho – houve crescimento de 466% na oferta de vagas em fintechs na comparação entre o primeiro semestre de 2020 e de 2021.

Quem antes tinha uma carreira como bancário, precisa olhar cada vez mais e com atenção para esses movimentos do mercado. É fundamental considerar uma trilha de carreira que possibilite uma atuação mais autônomo, empreendedora ou, melhor ainda, de intraempreendimento, em que prevaleça seu pertencimento a uma estrutura corporativa, mas com possibilidades de autonomia e ganhos de um empreendedor.

Além disso, é possível redirecionar sua carreira de forma estratégica, combinando sua experiência com o desenvolvimento de habilidade que que as novas vagas do mercado oferecem. Certificações brasileiras para quem quer trabalhar no setor podem ser obtidas em diversas associações com atuação específica e, em muitos casos, as próprias empresas oferecem formações de Especialistas que podem ser determinantes para um novo passo profissional.

Além disso, sempre é válido utilizar a tecnologia e sua rede de contatos: navegue nas plataformas de divulgação de vagas, fortaleça seu networking e explore as possibilidades das mídias sociais. Tanto para que você possa acompanhar notícias e estudar a fundo as transformações econômicas do país, quanto para identificar oportunidades que podem ser decisivas seu futuro.

Sem dúvidas, a transformação do mercado financeiro trouxe novos desafios, mas também ampliou as perspectivas profissionais para aqueles que estão abertos à mudança. Resta, por fim, você escolher o caminho que quer trilhar, mas uma coisa é certa: o futuro já chegou.