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O que os novos empreendedores podem aprender com as grandes companhias do mercado?

Em meu último artigo, ressaltei a importância das lideranças e executivos do novo mercado alimentarem seu espírito empreendedor e, de modo semelhante aos que estão iniciando uma jornada no mundo dos negócios, serem capazes de assumir riscos e propor novos caminhos para suas companhias em prol da construção de uma cultura proativa de inovação.

O interessante é perceber que essa jornada de aprendizado também corre pelo caminho inverso: novos empreendedores, líderes de startups e negócios digitais também têm muito a absorver ao dialogar com executivos e analisar a história de companhias que, afinal de contas, não conquistaram destaque no mercado por acaso.

E, dentro de um cenário econômico em que os projetos de inovação aberta avançam de modo expressivo – de 2016 a 2020, por exemplo, dados da 100 Open Startups apontam que os projetos de open innovation cresceram 1.900% – podemos olhar com otimismo o crescimento dessas trocas entre executivos e empreendedores que, a partir de tais relações, estão construindo um ambiente mercadológico mais aberto, colaborativo e no qual as novas tecnologias caminham a passos rápidos.

Ademais, o surgimento de hubs, aceleradoras e de novos ecossistemas de inovação favorecem também a consolidação de mentorias, nas quais executivos e lideranças do mercado tradicional dividem insights com empreendedores relativos à formatação de modelos de negócio, valuation, estratégia, diferenciação competitiva, dentre outra série de dimensões da gestão organizacional.

Não por acaso, atividades relacionadas a mentoria empresarial tem crescido a uma média superior a 19% nos últimos cinco anos, de acordo com números da ABMEN (Associação Brasileira dos Mentores de Negócios).

Dito isso, em minhas próprias mentorias junto a startups, gosto de destacar 3 pontos indispensáveis que, fazendo parte da realidade da gestão de grandes empresas, também são extremamente válidos para os negócios digitais:

01.  Saiba monetizar sua ideia

O primeiro ponto consiste na capacidade do empreendedor em formatar sua ideia em modelo de negócio viável e que traga retorno. Muitos empreendedores do novo mercado são guiados por valores e objetivos de impacto do negócio. Um exemplo: uma startup que deseja criar uma alternativa logística mais sustentável.

Pontos de partida como esse são nobres e não precisam ser abandonados, todavia, para atingi-los, a startup precisará provar que seu produto atrai, de fato, novos consumidores e responde a uma demanda de mercado. Do contrário, teremos apenas ideias que, por falta de maturidade em termos de negócio, não terão sustentação financeira.

02.  Agilidade não significa ausência de processos

Muitos empreendedores confundem a burocracia – que, de fato, atrasa a geração de valor de algumas organizações – com a ausência ou desorganização de suas estruturas organizacionais.

Todavia, esta mentalidade pode comprometer a continuidade de uma empresa no mercado, afinal de contas, da gestão financeira a gestão de pessoas, há etapas que não podem ser renunciadas para garantir, por exemplo, o compliance do negócio, a estruturação de planos de carreira ou mesmo o fortalecimento da cultura interna.

Além disso, ao estruturar processos (ágeis) e metodologias de gestão, você poderá direcionar os talentos de sua equipe em prol da conquista dos objetivos do negócio. Por mais horizontal que seja a mentalidade de sua empresa, você precisará adotar diretrizes – mesmo que flexíveis – e definição de funções/responsabilidades, para orientar seus colaboradores em prol, novamente, da geração de resultados.

03.  O valor de seu negócio é comprovado com números, não somente com intenções

Outro ponto fundamental envolve a capacidade de organizar indicadores para avaliar os resultados que seu negócio está gerando ou tem potencial concreto para gerar.

E isso porque, por mais inovador que seja o seu produto, quando uma startup vai participar de uma rodada de investimentos, por exemplo, ela precisará ser capaz de demonstrar a capacidade de geração de resultados que comentei no primeiro ponto, atraindo assim o interesse de investidores e de empresas parceiras para projetos de inovação aberta.

Diante destas bases, vale reforçar que a colaboração entre empreendedores e executivos tende a gerar frutos positivos tanto para as organizações quanto para os novos negócios que buscam seu lugar ao sol. Mas, a maior beneficiária de todo este movimento é a própria sociedade que terá, cada vez mais, acesso a produtos e serviços eficientes e inovadores que surgem a partir desta relação com potencial disruptivo!

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